segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A BICA E O LAVADOURO


Vamos falar das três gravuras que ilustram esta Mensagem:
BICA:é este o nome porque é conhecido o Chafariz que durante muitos e muitos anos serviu a população da Vila.Foi construido pelos Caminhos de Ferro em 1914,quando destruiram uma Fonte onde se ia buscar a água,devido ás Obras da Linha Ferrea do Sul (Barreiro-Vila Real de Santo Antonio),a nascente é tão poderosa que há quási 100 anos dois tubos de cerca de 2 polegadas cada deitam água sem parar,abastecendo também o LAVADOURO PUBLICO que serviu toda a população até que no final da década de 50  foi instalada a rede de distribuição domiciliária de água,depois apareceram as máquinas de Lavar e hoje raras pessoas que ainda o utilizam.Voltando ao passado,era um excelente local de convivio,onde se comentavam os acontecimentos locais.O pior eram as pessoas mais idosas que tinham de transportar á cabeça os Alguidares e subir a Ladeira do Posto,ao tempo com um piso de areia e pedras. Ao lado vê-se uma BILHA DE BARRO,logo que chegamos a Alvalade,no inicio da década de 30,ficamos impressionados com a segurança e equilibrio com que as "moças" levavam á cabeça a Bilha cheia de Agua,que pesaria perto de 10 Klg, na cabeça usavam um trapo enrolado,a que chamavam "sogra"algumas ainda transportavam outra Bilha no quadril.Sobretudo no Verão,depois de regressarem do trabalho,iam a casa tirar a roupa  usada e vestir o vestido de Chita,ou a Blusa com Saia de Cuprama,os tecidos mais baratos da época,e alegremente,muitas vezes na companhia dos rapazes,cumpriam a tarefa de transportar esse bem tão precioso que é a Agua,vi algumas entusiasmadas com a conversa,despejarem a Bilha junto á passagem de nível,para continuar os assuntos tão importantes para elas e para eles,coisas da mocidade...Sobre a Bilha de Barro está um Cocharro de cortiça que servia  para  o aguadeiro dar água aos trabalhadores,nas mondas,nas ceifas e na tiragem da Cortiça.Todos bebiam pelo mesmo cocharro,assim os Virús,Bactéias e outros que tais,tinham uma via de transmissão,surgiam depois as Gripes,Diarreias,Tuberculose
e outras doenças.  Citamos as "moças" que gostosamente iam buscar a água,mas haviam donas de casa mais idosas que,com dificuldade,também subiam a Ladeira do Posto. Para quem tivesse melhores condições económicas,os Aguadeiros vendiam agua de uma Pipa em cima de um carro puxado por Burro ou Egua,o Chico Romão e o Tio Agua Morna foram os que conheci. Também algumas jovens iam buscar a agua,recebendo uma pequena gratificação.Era da tradição ir á Bica a encher  Bilha na noite de S.João com musica a acompanhar. A Casa do Povo costuma manter esta tradição,assim como outras que o Povo Alentejano não esquece. O grande Poeta LUIS DE CAMÕES escreveu:
      Descalça vai para a fonte
      Leonor pela verdura
      Vai fermosa e não segura

       Leva na cabeça o pote
       O testo nas mãos de prata
       Cinta de fina escarlata
       Sainho de chamelote
       Tras a vasquinha de cote
       Mais branca que  neve pura
       Vai fermosa e não segura

       Descobre a touca a garganta
       Cabelos de Ouro entrançado
       Fita de cor de encarnado
       Tão linda que o Mundo espanta
       Chove nela graça tanta
       Que dá graça á fermosura
       Vai fermosa e não segura

Jraposonobre@hotmail.com

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

CARNAVAL COM MUSICA PORTUGUESA

Hoje é o Dia do Enterro do Entrudo,é tradição criticar os acontecimentos locais,mas o Viver Alvalade vai criticar o Carnaval,porque em todos os que conhecemos no nosso país,apenas se ouve a Musica Brasileira,nada temos contra os temas Brasileiros,a Cidade Maravilhoso,de Jobim,cantada pelo Portuguesa Carmen Miranda é Musica de todo o Mundo.Tivemos o prazer de participar num intercambio de Seniores Portugueses e Brasileiros que decorreu na Marina da Glória,no Rio de Janeiro,onde durante 5 dias vimos o floclore de todos os Estados Brasileiros,incluindo o Carnaval do Rio. Foi dos melhores momentos a que assistimos. Mas o problema não é a qualidade da musica do Brasil,mas se assistimos a Carnavais portugueses porque não a Musica Portuguesa ?  Não faltam bons compositores de Musica Popular,damos alguns exemplos:CORRIDINHOS DO ALGARVE,VIRAS DO MINHO E NAZARÉ,SAIAS DO ALTO ALENTEJO,QUIM BARREIROS,ZÉ E ANA MALHOA,
MARCHAS DE LISBOA,FERNANDO CORREIA MARQUES E O APITA O COMBOIO,até alguns FADOS RIBATEJANOS. Há uma quantidade de Temas ,onde podemos incluir as composições de Ricardo Landum para a AGATA,ROMANA e outros artistas . O Povo português que assiste e se diverte nos Carnavais iria gostar e delirar com as nossas Musicas,
embore goste,como nós,da Musica do Brasil. Isto é uma critica e uma sugestão.Queremos Musica Portuguesa no nosso CARNAVAL.


Jraposonobre@hotmail.com

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

OS FORNOS DE POIA

Voltamos hoje a histórias de Alvalade no inicio do SEC.XX  para falar dos Fornos que coziam o nosso Pão.Começamos pela Cultura do Trigo, As nossas Varzeas e as nossas charnecas produziam bom Trigo. Os grandes agricultores e os Seareiros entregavam o produto á FNPT,através do Grémio da Lavoura,mas entregavam na Moagem local o Trigo para consumo anual.A Moagem,inicialmente do Snr. Fragoso foi vendida aos Snrs.Manuel Joaquim Garcia e José João da Bica.Os que não produziam Trigo compravam a Farinha na Moagem. Antes de ser instalada a 1ª Padaria a única maneira de ter Pão era Amassar em Casa e Cozer nos Fornos particulares.Em Alvalade conhecemos os Fornos da Snrª Antonia Belchior,da Snrª Libânia,do Snr. Sabino, alugado á Snrª Palmira Vicente,do Zé Galego,junto á Igreja  e da Snrª Natércia,na Rua Nova Na véspera avisava-se a Forneira que marcava a hora para ir buscar o Tabuleiro. Como cada Fornada levava várias cozeduras o Pão em massa,antes de ser cozido,levava um sinal.As cozeduras eram semanais.A Poia era o Pão para pagar á Forneira,   Quando casei no fim dos anos 50,o Alguidar da Massa,a Tábua de Tender e o Tabuleiro fizeram parte do Enxoval da minha noiva. Entretanto surgiram as Padarias com Farinhas espoadas,que não necessitavam de ser peneiradas,nas novas moagens,exemplo a de Ermidas,e pouco a pouco a população deixou de amassar em casa,os Fornos foram acabando,mas fica a saudade do pão quente ao chegar do Forno e da Tibornia que se fazia com bom azeite novo,sal e alho.  O Pão durava uma semana e ninguém se queixava de estar duro,não havia Pão no Lixo,que belas açordas se faziam...E bom recordar desse tempo o que nos dava prazer.

Jraposonobre@hotmail.com

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CARNAVAL DE SINES






Apesar deste blogue se destinar a divulgar Alvalade,vamos hoje falar da Cidade onde nasci .SINES e do seu CARNAVAL,o melhor do Alentejo. Foi criado no inicio do Sec. XX,mas por razões que ignoro,foi interrompido durante muitos anos,voltou a realizar-se há cerca de 50 anos,com toda a alegria e entusiasmo duma população muito ativa,cerca de 20 carros alegóricos e um vasto conjunto de lindas jovens que estoicamente aguentam o frio do Inverno no alto dos belos carros. Este ano o Temporal destruiu parte do Armazem onde se guardam os materiais,ocasionando prejuízos,pelo que apelamos aos nossos leitores para  irem a SINES se divertirem e ajudarem quem tanto se esforça para nos animar numa época de austeridade  e receios no futuro. SINES a bela cidade Portuária hoje a principal entrada marítima da Europa,está á nossa espera nos dias 10,11 e 12.Todos lá ! 

Jraposonobre@hotmail.com     

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O FADINHO SERRANO

Vamos hoje recordar os chamados Anos de Ouro que Alvalade viveu nas décadas de 60 e 70 do SEC.XX quando o Cinema Alvalade apresentava grandes espetáculos de Variedades com os artistas mais populares da época,entre os quais ANA HORTENSE,com o FADINHO SERRANO. Hoje ao ouvir ANABELA na TV  cantar este Fado,ainda muito popular,AMALIA também o cantou,mas a sua criadora foi a ANA,não resistimos a fazer esta mensagem.  A ultima vez que a vimos e ouvimos foi no Restaurante Senhor Vinho de MARIA DA FÉ,na Lapa,em Lisboa. ANA HORTENSE sempre que nos via falava  dos Jantares na D. Julia Ramusga,sobretudo das sopas de puré de grão com hortaliças. Ao ver hoje o Monte de Lixo em que transformaram o nosso Cinema,vêm sempre á nossa memória os bons momentos que oferecemos ao publico de Alvalade e arredores.Como Cinema hoje não teria rentabilidade,mas podia ser um Centro Cultural e Biblioteca,com uma pequena Sala para espetáculos.

Jraposonobre@hotmail.com

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AI VEM O ENTRUDO

Vamos falar do velho ENTRUDO das primeiras décadas do SEC.XX e do que assistimos e vivemos. As DANÇAS eram constítuidas por homens,cerca de 20,metade vestiam-se de mulher.Percorriam os Montes e povoações,a pé,para angariarem dádivas e dinheiro para sustentarem as famílias na época de Inverno,quando faltava o trabalho. Um Pau com uma fita para  cada dançarino que com as danças se entrelaçavam,depois dançavam em sentido contrário para desfazer. Uma forma de esmolar,como Manuel da Fonseca relatou num dos seus livros sobre a miséria no Alentejo.Na nossa Juventude havia uma brincadeira a que chamavamos ASSALTOS,um grupo de rapazes e raparigas com uma grafonola e discos iam a uma casa,com cumplicidade de um membro dessa Família, e faziam Baile.Também fizemos parte de pequenos grupos de 3 ou 4 jovens,com máscaras e outros disfarces para não serem conhecidos e eram brindados com cálices de qualquer bebida que houvesse em casa.Nas mercearias e drogarias vendiam-se bombinhas de Carnaval,rabisca-pés,tudo sem perigo,só para assustar,garrafinhas de mau cheiro,serpentinas,mascaras e papelinhos,tudo ingenuidades que divertiam.Na Sociedade Recreativa e mais tarde na Casa do Povo os Bailes de Carnaval tiveram sempre grande afluência. Nas ruas também não esquecemos as brincadeiras do Deolindo Simão,do Zé Romão e do Antonio Leonor (bisavô da Catarina Narciso) que todos os anos percorria as ruas com um bacio de cama (vulgo penico) com vinho branco e um chouriço que ia comendo e bebendo.Falamos dos principios do SEC XX,hoje as Escolas fazem o habitual desfile na Sexta feira antes do Dia de Carnaval e a Casa do Povo para manter a tradição organiza o Baile,êste ano abrilhantado pelas ANAS no Dia 9 de Fevereiro.Quero lembrar que na quarta feira a Casa do Povo não esquecia a tradicional Morte do Carnaval,cujo vulto era queimado na Praça,depois de ser lido o seu testamento,com criticas aos acontecimentos do ultimo ano,com as carpideiras a chorarem a morte do rei Momo.

Jraposonobre@hotmail.com

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

300ª MENSAGEM

O Viver Alvalade faz hoje a sua 300ª mensagem,com 16.064 visualizações,desde já agradecemos a todos que com a sua participação nos dão animo para continuar. Para comemorar vamos falar duma importante personalidade,natural da sede do concelho com quem convivemos nos anos da atividade autarquica,MANUEL DA FONSECA,escritor do neo-realismo,Poeta de grande sensibilidade,dedicou a sua Obra ao nosso Alentejo. Tivemos o prazer de organizar a primeira Homenagem que Santiago de Cacem lhe prestou. Exibimos o filme Cerromaior,convidamos Batista Bastos para falar da sua Obra,para o espetáculo convidamos Os Trovante (ainda no inicio mas para quem auguramos o exito que tiveram)Adriano Correia de Oliveira,faleceu pouco tempo depois e Samuel. Foi um dia inesquécivel, Terminamos com dos ses poemas MARIA CAMPANIÇA

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem !
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao Sol-posto.
mas o jeito
das mãos torcendo o xaile nos dedos
é de magoa e abandono.
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que eu quero ver nascer o Sol!    

Não é a primeira vez que falamos deste grande escritor,já falecido,mas não esquecemos as longas horas de convivio e o muito que aprendemos com tão importante lutador anti-fascista  

Jraposonobre@hotmail.com